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IA na experiência

IA no atendimento: o que os clientes temem e como avançar com cuidado

A inteligência artificial pode aliviar tarefas repetitivas, mas a desconfiança dos clientes é real. O que dizem uma pesquisa global, um referencial técnico e a LGPD.

Por Equipe editorial Alcora3 min de leitura

A inteligência artificial entrou na agenda de quase toda operação de atendimento. A promessa é conhecida: respostas mais rápidas, menos tarefas repetitivas, mais tempo das equipes para casos complexos. O que nem sempre entra na conta é como os clientes percebem essa mudança.

Este texto reúne três referências — uma pesquisa com consumidores, um referencial de gestão de riscos e a legislação brasileira de proteção de dados — para discutir como avançar sem comprometer a confiança.

O que os clientes dizem

Em julho de 2024, a Gartner divulgou uma pesquisa com 5.728 clientes, realizada em dezembro de 2023: 64% disseram preferir que as empresas não usassem IA no atendimento, e 53% afirmaram que considerariam trocar de fornecedor se uma empresa passasse a usá-la.

A principal preocupação apontada foi a dificuldade de chegar a uma pessoa, seguida do receio de substituição de empregos e de respostas erradas. A própria Gartner recomenda que as lideranças de atendimento mostrem que a IA melhora a experiência, em vez de se tornar mais uma barreira.

A pesquisa reflete a percepção dos consumidores entrevistados naquele momento e no recorte da Gartner; não é uma medida definitiva nem específica do Brasil.

Um referencial para gerir riscos

O NIST, instituto de padrões dos Estados Unidos, publicou em 26 de janeiro de 2023 o AI Risk Management Framework (AI RMF 1.0), de uso voluntário. Ele organiza a gestão de riscos de IA em quatro funções: governar (Govern), mapear (Map), medir (Measure) e gerenciar (Manage). Em julho de 2024, o instituto publicou um perfil específico para IA generativa (NIST AI 600-1).

Mesmo sem força de lei no Brasil, o referencial ajuda a fazer perguntas antes da implantação: quem responde pelo sistema, em que situações ele pode errar, como medir esses erros e o que fazer quando acontecem.

O que diz a LGPD

A Lei Geral de Proteção de Dados (Lei 13.709/2018), no artigo 20, garante ao titular o direito de solicitar a revisão de decisões tomadas unicamente com base em tratamento automatizado de dados pessoais que afetem seus interesses, e de receber, quando solicitar, informações claras sobre os critérios e procedimentos usados, respeitados os segredos comercial e industrial.

Vale notar que a redação atual, alterada em 2019, não exige expressamente que essa revisão seja feita por uma pessoa. Ainda assim, oferecer esse caminho é coerente com a principal preocupação apontada pelos clientes na pesquisa citada acima.

Antes de implantar IA no atendimento

  1. Qual tarefa a IA vai assumir — e como medir se o cliente ficou com menos esforço, não mais?
  2. Em quantos passos o cliente chega a uma pessoa, se precisar?
  3. Quem revisa os erros do sistema e com que frequência?
  4. Que dados pessoais o sistema usa, e como o cliente pode pedir revisão de uma decisão automatizada?

Fontes e referências

  1. Gartner Survey Finds 64% of Customers Would Prefer That Companies Didn't Use AI For Customer Service(abre em nova aba)

    Gartner (comunicado à imprensa) · 9 de julho de 2024

    5.728 clientes pesquisados em dezembro de 2023; recorte e metodologia da Gartner; em inglês.

  2. AI Risk Management Framework(abre em nova aba)

    NIST — National Institute of Standards and Technology · AI RMF 1.0 em 26 de janeiro de 2023; perfil de IA generativa em 26 de julho de 2024

    Referencial voluntário, dos Estados Unidos; em inglês.

  3. Lei nº 13.709, de 14 de agosto de 2018 — Lei Geral de Proteção de Dados (art. 20)(abre em nova aba)

    Presidência da República — Planalto · 2018, com alterações posteriores

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